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Atopia. Entenda um pouco mais e ajude seu animal a viver melhor!

A atopia, também conhecida como dermatite atópica ou alergia a substâncias ambientais, é uma doença genética comum em cães, que provoca inflamação e prurido (coceira) extremo por uma reação alérgica, geralmente às mesmas substâncias que provocam rinite alérgica no homem.

Infelizmente, trata-se de uma doença incurável, e não há um teste específico para confirmar o diagnóstico, que é feito clinicamente e por eliminação. O tratamento visa oferecer qualidade de vida e conforto aos animais, e é muito importante que haja um acompanhamento frequente junto a um médico veterinário. A seguir, veja as respostas para algumas das principais dúvidas sobre o tema.

Atopia é uma doença alérgica?

Não. A atopia não é somente uma enfermidade alérgica: já há comprovação científica de que animais alérgicos apresentam um defeito na barreira de proteção da pele, favorecendo o ressecamento e “facilitando a entrada” de substâncias e também a proliferação de micro-organismos.

Por ser um problema genético, a atopia se manifesta desde o nascimento?

A atopia é uma doença hereditária, mas não congênita. Ou seja, a combinação genética dos pais leva ao nascimento de um animal atópico, mas os sintomas podem surgir em qualquer idade. A maioria dos cães apresenta os primeiros sintomas entre 6 meses e 3 anos de idade, mas o quadro pode começar em qualquer fase da vida.

Mas o que causa essa doença no cão?

O cão atópico desenvolve uma alergia a substâncias presentes nos ácaros do ar, nos esporos de fungos do ambiente, no pólen de vegetais e em outras substâncias que podem estar na poeira doméstica. Cada cão atópico pode reagir a uma ou mais destas substâncias.

Como é feito o diagnóstico?

Como as lesões dermatológicas são idênticas às de outras doenças alérgicas e não há exame laboratorial que permita a diferenciação, o diagnóstico é puramente clínico e firmado pelo afastamento racional (eliminação) de outras doenças. Por isso, a compreensão e o comprometimento do proprietário são importantes em todas as fases.

Lesões de pele em cães atópicos.

À esquerda, hiperpigmentação, lignificação e filme melicérico em Teckel com atopia, malasseziose e piodermite secundárias. À direita, eritema interdigital em SRD com atopia.

Tem cura?

Quase nunca é possível curar um animal atópico, pois não há terapia 100% eficiente. O objetivo do tratamento é dar conforto ao paciente e melhorar sua qualidade de vida. O uso dos medicamentos deve ser feito por toda a vida, e a maioria deles pode causar efeitos colaterais, que, no entanto, podem ser minimizados.

Como diminuir os riscos de efeitos colaterais no tratamento?

Alguns procedimentos devem ser adotados:

  • Escolha corticoides por via oral, que têm menos efeitos colaterais que os injetáveis.
  • Para o tratamento tópico, opte pela molécula mais segura, a hidrocortisona aceponato, para uso contínuo. Ela é a única que tem baixíssima absorção (0,2%) e, conforme o caso, será possível reduzir a dose do corticoide sistêmico, minimizando os riscos do tratamento.
  • Faça exames periódicos (monitorização), geralmente de sangue, de acordo com a orientação do médico veterinário. Eles são fundamentais para acompanhar como o animal está reagindo à medicação e se há efeitos colaterais.
  • Quando utilizar corticoides tópicos (pomadas, cremes, colírios e otológicos), opte pelos mais seguros, uma vez que esses medicamentos também são absorvidos pela pele, podendo gerar efeitos colaterais.
  • Utilize shampoos hidratantes sem corticosteroides. Atualmente, sabe-se que eles são mais efetivos e sem efeitos colaterais.
  • Evite petiscos e alimentos com flavorizantes, aromatizantes e corantes, pois acredita-se que alguns animais alérgicos podem ter crises de coceira com alimentos muito artificiais.

O que mais posso fazer para ajudar no tratamento?

O uso de parasiticidas (produtos para controle de pulgas e carrapatos) mensalmente ou quinzenalmente (no caso de animais que tomam banho toda semana), a limpeza do ambiente, a retirada de qualquer artigo que acumule poeira (tapetes, cobertores, almofadas felpudas) e banhos adequados frequentes são fundamentais no controle do quadro.

O estresse pode ser a causa?

O estresse não causa alergia nem coceira, mas acredita-se que pode agravar o quadro e os sintomas. Assim, por exemplo, o animal atópico lambe constantemente as patas por causa da coceira causada pela doença, e não por estresse. Mas, se esse mesmo animal estiver estressado por qualquer motivo, é possível que a coceira piore.

As lesões de pele presentes na atopia podem ser transmissíveis a outro animal ou ao ser humano?

Não. A atopia, assim como a infecção de pele do cão atópico, não é transmissível.

Alopecia, eritema e lignificação em cadela West com atopia (esq.). Hiperpigmentação, hiperqueratose e lignificação em cadela Shitzu com quadro crônico de atopia e malasseziose secundária (centro). Eritema, hiperqueratose e pus em quadro de otite eczematosa purulenta em Shitzu com atopia (dir.).

À esquerda, alopecia, eritema e lignificação em cadela West com atopia.
No centro, hiperpigmentação, hiperqueratose e lignificação em cadela Shih-tzu com quadro crônico de atopia e malasseziose secundária.
À direita, eritema, hiperqueratose e pus em quadro de otite eczematosa purulenta em Shitzu com atopia.

Meu animal viverá menos por ser atópico ou por tomar tantos remédios?

Não, se for devidamente acompanhado pelo médico veterinário e realizar exames de sangue periódicos para evitar efeitos colaterais causados pelas medicações.

O que devo esperar do tratamento?

O tratamento proporciona conforto, mas não espere 100% de melhora, pois isso pode ser impossível. Uma melhora na ordem de 70 a 80% é uma grande vitória na terapia do cão atópico. Ele deve voltar a dormir bem (sem acordar para se coçar), brincar sem interrupções e ter uma vida perto do normal, mas eventualmente terá pequenas crises, que devem ser consideradas aceitáveis.

Há perspectivas de que meu cão fique bem?

Sim! Geralmente, os animais conseguem ter uma boa qualidade de vida, sem apresentar sintomas graves. Deve-se, no entanto, compreender que o acompanhamento é importante para que se evitem as crises e os transtornos eventualmente causados pelo tratamento. O proprietário deve estar ciente de que, assim como uma pessoa com rinite alérgica tem crises eventuais, o cão atópico também as terá. A parceria com o médico veterinário para identificar os fatores que desencadeiam as crises, assim como para seguir rigorosamente o tratamento prescrito, é fundamental para que seu animal viva mais e melhor!

Consulte sempre o médico veterinário antes de utilizar qualquer produto. A medicação sem orientação médica traz riscos à saúde do seu animal.

Cadela Shih-tzu de 5 anos de idade com quadro avançado de atopia, antes e depois do controle terapêutico.